NOVO ENDEREÇO

Como o sistema de postagens do UOL não é lá muito moderno e oferece poucos recursos, o blog "A Nível de..." mudou de endereço e de visual. 

Confira o novo blog, agora no Wordpress, aqui, ó: http://bloganivelde.wordpress.com/

E, claro, não deixe de opinar!

Culpada

Te culpo, sim, por eu estar sorrindo. 
Te culpo ainda mais pelo que estou sentindo. 

Se com cada palavra minha, certa ou errada, 
fosse possível encurtar a distância dessa longa estrada;
te consideraria ainda mais,
culpada. 

Imagens que ficaram de uma noite inesquecível
onde sentia teu perfume, mesmo depois do dia ter amanhecido. 
Noite que não deveria ter acabado, 
pra continuar ouvindo tuas palavras, como música para meus ouvidos. 

O piano e a casa vazia

 

E lá foi ele puxar o velho banco do piano, lugar que ele sempre sentava para pincelar as primeiras linhas de uma canção que nunca ficou pronta. A mancha do copo de uísque na madeira lembrava de outras noites que ele havia estado lá. Um sorriso amarelo surge em seu rosto de olhos cansados, de linhas que indicavam sua vida sofrida, ao notar que nenhuma mancha de suas lágrimas haviam ficado por ali.

Toques repetidos na mesma tecla. Um dó sustenido que, para ele, representava um grito de agonia vindo do coração. A nota ecoava pela casa, vazia e silenciosa, retrato de sua vida. Mais uma dose. Ele umedece a ponta do lápis, mania que acreditava ter pego em filmes antigos, e rabisca as primeiras linhas. Mais uma vez a canção não saía, somente palavras que o faziam lembrar dela. Ela que nunca esteve e nem nunca estará naquela casa. Ela... que nunca foi, mas sempre será seu grande amor. 


A casa continua vazia. O piano anseia por um acorde. 

O Grande Gregório - Conhecendo o Monstro

O Grande Gregório resolveu ir viajar em um fim de semana prolongado que se apresentou como uma luz no fim do túnel, após uma semana conturbada onde ele não conseguia segurar seus anseios dentro de sua cabeça, que funcionava de forma tão “tranqüila” como um tsunami.

 

Uma viagem para relaxar. Era tudo que ele precisava. Sair daquele meio que tanto lhe incomodava, ver o mundo através da janela de seu carro e não através da janela de um alto edifício de concreto, que só revelava mais edifícios de concreto. Gregório ficava feliz quando via uma nuvem com formato engraçado passando pela janela, já que esse era o maior contato com a natureza que ele tinha a seu alcance.

 

Diante desse turbilhão de pensamentos, o Grande Gregório não pensava em desistir, como já havia feito em diversas vezes antes. A forma como ele encara a vida mudou depois de inúmeras experiências desagradáveis e por dificuldades enfrentadas. Desistir não era uma boa. Sendo assim, ele buscava uma alternativa. Como ele poderia - para traduzir de forma simples seus pensamentos loucos - ver mais nuvens daquelas sem ser através daquela janela?

 

Idéias não faltavam. Porém, ninguém consegue fazer nada sozinho e Gregório sabia disso, mesmo sentindo, novamente, que as paredes se fechavam a sua volta e que, a cada vez que tentava pensar em mudar, sua cabeça latejava como ferida que custava a cicatrizar. A dor era imensa e incessante, algo que se tornou comum na vida de Gregório, como se ele já não tivesse coisas demais para se preocupar.

 

Ele precisaria compartilhar de seus pensamentos/problemas. Foi o que fez. E, para variar, a compreensão foi difícil e ele se viu sozinho de novo diante do Monstro que crescia na sua frente. Monstro esse que era alimentado pelos segundos que se passavam no relógio.

 

Talvez o Grande Gregório fosse mesmo mais um daquele tipo sonhador. Daqueles que vislumbram um mundo em seus pensamentos e corre atrás – mesmo que a passos lentos – desses objetivos. Em seus sonhos, Gregório nunca quis muito, só o necessário para enfrentar a jornada de sua vida de forma agradável e discreta. Tais sonhos, que de tão simples podem se revelar até ingênuos, brigavam com a ambição que se espera de uma pessoa no mundo de hoje. “Sempre pensar grande”, é o que todos dizem. Gregório pensava, mas o “grande” para ele era minúsculo para a maioria das pessoas. Mas assim estava mais do que bom para ele. “É errado pensar assim?”, questionava-se.

 

Sentado no computador de seu trabalho para relatar sua viagem, Gregório notou que ela não servira de nada. Pelo menos não para o que ele tinha objetivado no início. Estava ele lá sozinho, de novo, enfrentando o piscar incansável do seu editor de textos. Ele não descansou, não descobriu alternativa nenhuma para “encontrar as nuvens” e se deparou com um problema ainda maior: ele estava exposto. O Monstro agora conhecia suas fraquezas. Ao tentar compartilhar seus pensamentos, Gregório deu sua última cartada na esperança de que as coisas mudassem. Nada mudou e ele havia sido arremessado de seu cavalo, caído no chão de frente com a lança de seu adversário.

 

A batalha começa. Gregório rola para o canto e recupera sua espada, mas continua caído. Seu cavalo, inquieto, corria em disparada pela arena. O Cavaleiro Negro estava prestes a derrotá-lo. Sua lança era reluzente e sua armadura prateada recebia a luz do sol como uma luz divina, como se Deus já estivesse escolhido o seu vencedor. O Cavaleiro desce de seu cavalo e caminha de forma imponente para cima de Gregório. Ele tenta recuperar suas forças, mas não consegue erguer sua espada. Muito menos levantar-se do chão. O Cavaleiro ficava cada vez maior enquanto se aproximava de Gregório. A arena iluminada, aos poucos, era tomada pela sombra do sedento guerreiro. Não havia platéia, mas Gregório ouvia os gritos de incentivo das pessoas. Ele só não sabia para quem eles torciam. Se para o gigante Cavaleiro Negro ou se para ele mesmo. As paredes da arena se fechavam junto da escuridão que agora o cercava. O Cavaleiro chegou a sua frente. Gregório, por um momento, quando se viu frente a frente com a morte, imaginou que ali poderia estar a saída. Afinal, ele não havia desistido. Ele havia sido vencido por uma força muito maior que a dele.

 

Uma mensagem chega no celular de Gregório. Ele lê e rapidamente digita uma resposta. Tais mensagens tinham se tornado constantes naquele feriado. Alguém que Gregório já tinha se envolvido no passado aparece de novo e demonstra certo interesse pelo rapaz. O amor é uma questão que até hoje atormenta Gregório. Cansado das decepções que sofrera, até isso ele tentava evitar ultimamente. Morre de medo da solidão para o resto de sua vida e, por isso, sempre quebra a cara quando busca demais alguém que lhe complete.

 

Talvez este tenha sido o único ponto positivo de sua viagem. As mensagens o fizeram se sentir mais querido, mais próximo de um dos seus sonhos e distante do medo da solidão. Sempre que respondia, ficava com o aparelho em mãos aguardando por uma pronta resposta.

 

Gregório levanta a cabeça e olha para o céu. O Cavaleiro finalmente começa a falar.

 

-  Levante-se, Gregório. – sua voz era grave e demoníaca – Você se engana se acha que tudo acabará tão fácil. Você não teme a morte e, por mais absurdo que seja, a vê como uma saída. Não estou aqui para facilitar nada para você. Já que você pensa assim, você não irá morrer agora e terá que voltar para enfrentar todos os Monstros que se apresentam. Eu sou apenas um deles e você me criou, como muitos outros.

 

Gregório estava acuado na parede e mal conseguia se mover. Os gritos da platéia que não existia aumentavam cada vez mais e ele resolve responder ao Cavaleiro

 

- Acabe logo com isso. Eu não sei de que Monstros você fala. Não criei nada. Só não tenho mais forças para seguir com minha vida. Se você diz que eu o criei, é porque já estou delirando por não agüentar mais nada disso.

 

A súplica de Gregório não abalou em nada o Cavaleiro.

 

- Sendo assim, você tem mais trabalho do que imagina. Descubra por si só. A dor que eu lhe causaria com minha lança não seria maior do que você irá enfrentar ao descobrir tudo o que procura. Me dá mais prazer sabendo que será dessa forma.

 

Impiedoso, o Cavaleiro sobe novamente em seu cavalo e deixa a arena que volta a receber a luz do sol. As vozes, quase ensurdecedoras, silenciaram,como se tivessem seguido com a brisa que passou.

 

Gregório se vê no vagão do metrô que o leva de volta para casa. As vozes que ouvia já não eram assustadoras, mas causavam um desespero parecido. As conversas eram sempre as mesmas, de pessoas apertadas reclamando da vida ou falando sobre a vida dos outros. Ainda tentando entender o que aconteceu, Gregório puxa os fones de ouvido de sua mochila e liga seu aparelho de mp3 – seu grande refúgio para essas conversas.

 

Enquanto ouvia os repetidos riff´s das músicas do AC/DC, imaginava o que teria acontecido com seu dia. Mais de 8 horas haviam se passado e ele não lembrava de nada, apenas do momento que respondeu a mensagem que recebeu no celular. O confronto com o Cavaleiro o faz parar para pensar quem seria realmente o Monstro da história. Gregório refletiu enquanto um acorde nostálgico da guitarra de Clapton atravessou o fio de seus fones e invadiu seus ouvidos. Ele conhecia bem o verdadeiro Monstro. E a grande batalha estava só começando.

Palavras não revisadas sobre o dia do Grande Gregório

 

O grande Gregório encontrava-se diante de um novo desafio. Cansado, porém disposto, não conseguia deixar de olhar para o canto direito do seu computador, onde se encontra o relógio. A imagem do relógio digital na tela do grande monitor de 17 polegadas causava tristeza em Gregório. “Onde estão os ponteiros?”, questionava-se, ao notar a “demora” que um minuto levava para passar sem ver o movimento de algum ponteiro girando pelos números de um relógio analógico.

 

Gregório era novo naquele lugar e ainda se habituava com as pessoas, os horários e com seu trabalho. E por não ter muito o que fazer, não ter dormido bem na última noite, o sono batia. E forte. Suas pálpebras pesavam toneladas e a força que Gregório tinha para levantá-las era semelhante a de duas pequenas formigas operárias.

 

Mais uma olhada para o relógio e ele volta-se para o sinal latejante do ponteiro sobre a página em branco do seu editor de textos. Como ele gostaria que a cada piscada fosse emitido um alarme sonoro que o ajudasse a ficar acordado. Qualquer som valeria. Até mesmo a irritante buzina do motoboy que havia quebrado o retrovisor de seu carro no caminho para o trabalho.

 

Aquele ambiente ainda causava insegurança em Gregório. “Pessoas engraçadas”, pensava. O mundo corporativo pode ser muito estranho aos olhos de pessoas tão observadoras como ele. E ele precisava ser assim. Não fosse, aquele ponteiro nunca sairia da Linha 1, Coluna 1.

 

À sua esquerda, Marisa, a secretária, emitia ruídos estranhos enquanto digitava. Tobias, o chefão, empostava tanto a voz enquanto falava ao telefone, que parecia um daqueles locutores charlatões de rádio AM lendo cartas dramáticas de suas ouvintes no ar. Mas neste caso era engraçado.

 

Escreveu mais três linhas e o relógio não se mexeu. Agora era a fome que começava a apertar. Certa vez Gregório ouviu alguém dizer que o tempo não é linear. Há momentos que ele parece voar, mas há momentos que ele move-se tão rapidamente quanto uma tartaruga com sono.

 

O telefone toca para recolocar Gregório de volta no mundo. Era alguém que o cobrava sobre um documento que ele havia esquecido em sua casa, por ter saído com pressa. Fica pra amanhã.

 

 

Escreveu mais uma linha, estalou os dedos antes de colocar o ponto, olhou pela janela atrás das persianas entreabertas e viu que começara a chover novamente. O barulho da chuva batendo na janela brigava com o ronco de seu estômago faminto.

 

Ao olhar para a mesa ao lado, a do Tobias, se pergunta: o que faz uma pessoa com um cargo mais elevado ser tão inteligente e tão tapada ao mesmo tempo? Tobias não sabia repôr as folhas na impressora.

 

Ainda lutando contra o sono, vai ao banheiro para molhar o rosto. Toma uma água, arrisca um sorriso para a recepcionista, volta para a sala envergonhado e busca algo para ler. Ele já tinha lido tudo o que estava disponível em cima de sua mesa. Mas, como tinha tempo, leria de novo.

 

A internet seria um bom recurso. Navegou por alguns grandes portais, descobriu que não seria possível acessar seu e-mail pessoal e sentiu-se preso.

 

Eis que nesse momento, o dia do grande Gregório começou a ficar bem pior.

 

O que era empolgação com o novo desafio, tornou-se uma angústia. Ele ainda não estava à vontade e suas pernas já não paravam mais quando percebeu que estava tendo um repentino ataque de ansiedade. Queria conversar, sair na rua para olhar as mulheres - extremamente lindas nessa região da cidade, diga-se - , dar risada. Mas não dava. Não podia. 

 

Quando notou, só tinha o teclado e o cursor latejante na página que já não estava mais em branco e trazia palavras sobre seu dia. Escreveu a última linha enquanto pensava no ponto final. O fez, não revisou nada e fechou o arquivo. Pág 2, Linha 3, Coluna 45.

Vozes

Acho que gosto quando chove. Mesmo quando as gotas de chuva caem das nuvens que escurecem ainda mais as noites. A água escorrendo sobre o telhado reflete luzes que não costumamos ver durante o dia e nem em noites enluaradas. O silêncio da madrugada é igualmente agradável. Ouvir o som de nossa própria respiração em momentos calmos nos fazem parar para refletir. Isso não é agradável? Para mim é. As vozes das milhões de pessoas que habitam minha cabeça parecem se acalmar e eu tenho um tempo para escutar uma única voz: a minha. Voz tão esquecida no dia a dia que nos torna máquinas em um mundo que parece já perdido. Seríamos nós os tais cavaleiros do apocalipse? Pois a teoria me parece boa, a medida que todos parecem fazer questão de trabalhar para ver tudo destruído. 

Há quantas madrugadas não escuto a voz que me faz querer rasurar algumas palavras em uma folha de papel amassado que encontro embaixo da cama, sempre pronta para receber a tinta da caneta que agora falha a deixar o tubo depois de tanto tempo ociosa? Tanto tempo fez com que essa voz, antes poética e ansiosa por contar suas histórias, virasse um sussurro difícil de escutar.

"O romantismo acabou, meu caro", diz a voz.

Eu reluto em concordar, mas ela insiste. Eis que percebo que o tom não é o mesmo não pela 'inatividade', mas por já não ter mais forças. É uma voz moribunda, como um doente terminal deitado em uma cama de hospital. Tento dentro de mim buscar as razões para argumentar e discordar. Isso não poderia ser verdade. Mas a cada vez que ouvia o sussurro, como um pedido de ajuda, os argumentos se esvaiam como a água da chuva que ainda cai no telhado. Quanto mais lutava, mais sentia uma dor terrível no peito. Mal sabia eu que a voz que eu havia deixado de escutar era a voz do meu próprio coração.

E, assim como uma máquina sem manutenção, seu tempo havia se esgotado. Ele, então, se tornaria obsoleto e pararia de funcionar.

Paralelos de Uma Noite Solitária

Em mais uma daquelas noites solitárias - uma noite extremamente quente, diga-se -, de frente para o computador, olhos marejados após uma noite mal dormida, me pergunto qual o melhor tema para um bom texto. Um texto desses que saem nessas noites solitárias. A primeira idéia que surge, obviamente, é a daquele cara que, assim como eu, está sozinho escrevendo algumas baboseiras em sua casa. Outra idéia que surge, logo após mais um gole daquele resto de uísque que estava guardado para momentos como esse, é a idéia de escrever sobre como esse cara acabou sozinho na tal noite quente e solitária. Temas parecidos, você me diz, mas no fim das contas um completa o outro e ajuda o tal cara a preencher mais umas páginas. Se nada der certo, pelo menos ele terá algumas sobras de papel para enxugar suas lágrimas.

Idéias vão e vêm e nada me ocorre. O fato é que, no frigir dos ovos, se este cara – e eu também -  não se sentisse tão solitário, talvez ele nem perderia seu tempo frente ao computador digitando tristes palavras sobre sua triste vida.

Para sonhar basta estar acordado

Às vezes aquele tal do amor resolve pregar umas peças em nós.

 

A primeira delas é chegarmos a duvidar dele. Quando isso acontece, basta um telefonema, um toque, um beijo e ele nos mostra que estamos errados.

 

A segunda delas, é quando ficamos tão loucos pela outra pessoa, que chegamos a duvidar se ela existe de fato. E quando isso acontece, basta um sussurro da outra pessoa para provar que ela está ali.

 

A terceira delas – e acredito ser a pior – é quando questionamos os sentimentos da outra pessoa. É então que apenas com um olhar, a outra pessoa coloca novamente nossos pés no chão só que mantém nossas cabeças nas nuvens.

 

E depois vem o tombo.

São Tomé

O Tavares sempre me falou sobre essas coisas e eu nunca acreditei. É sempre assim quando me advertem sobre algo, eu não acredito até acontecer comigo.

Ele me falou que tais coisas existiam. Não, Tavares. Não existem. E o Tavares às vezes, caía pelos cantos, às vezes sorria feliz da vida e, mesmo assim, me dizia: existe. E eu dava de ombros.

Alguns meses depois...Alguns telefonemas depois... Alguns beijos e abraços depois... Alguns desencontros depois...

 

Foi como um daqueles tapas que eram dados com luvas brancas na era medieval. Tão sutis, no entanto extremamente desmoralizadores.

 

E, como já era de se esperar, eu lhe disse:

Sim, Tavares, seu idiota. Existe.

Longas tardes e o café expresso

Manda aquele expresso, Nogueira! E me vê também 3 desses pacotes de açúcar. Pois é, sei que cheguei cedo hoje, mas preciso de um pouco do meu amigo aqui para enfrentar essa tarde.

Hmmm! Delícia, rapaz! E essa espuma?! Bem que poderiam vender essas espumas no mercado. Ia ser um sucesso! Sabe, Nogueira, essa rotina mata qualquer um. Alguma coisa me prende aqui. Não, não é somente o dinheiro. É algo que não consegui descobrir ainda. Tá certo, tá certo... estou aqui pelo café.

Sendo assim, até amanhã.

Não acaba...
Já perdi as contas de quantas vezes pensei em você
Já passou a hora que eu devia te esquecer
Não quero insistir e, de uma vez te perder
Mas não vou desistir, pra depois não me arrepender
Desejo
Sentado à lareira, visão turva, tudo nublado.
não vejo um palmo a frente de hoje.
tudo imóvel. nada muda. nunca muda.

Pensamento voa e chega em você;

seu sorriso, meu sol.
seus olhos me guiam.
o seu toque, desejo
você, nova vida.
Reencontro
Enfim o reencontro.
Dois corações separados;

um muito sofrido,
o outro em seu canto, acoado.

O amor perfeito, em forma de verso;
um coração agora acolhido
o outro cada vez mais apaixonado.
Visão / Ilusão
Nada se desfaz de um dia pro outro
um grande amor perdido
um reencontro

tratei de enxugar as lágrimas que caíram com o seu nome
levantei. segui caindo. levantei.

um novo amor,
um novo tombo.
Viver Não Dói
Como a proposta do "A nível de..." é sempre apresentar bons textos para que seus leitores possam refletir, este humilde fanfarrão-metido-a-escritor resolveu colocar um texto sensacional de Carlos Drummond de Andrade. Tem muito a ver com nossas vidas hoje em dia... Abraço!

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Viver não dói



Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade

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